As EsganadasAs Esganadas
Rio de Janeiro, 1938. Uma misteriosa onda de assassinatos aterroriza a sociedade por sua bizarra natureza um tanto... culinária. A polícia não consegue identificar um suspeito, e a pressão aumenta. Porém já sabemos quem é o assassino, visto que ele, assim como seus motivos e seu modus operandi, nos são apresentados nos primeiros capítulos da história. Então, se o grande mistério da história já nos é apresentado em uma bandeja de prata – acompanhada de algumas guloseimas, seguindo o tema da história em questão –, o que mais há para o leitor neste mistério?

É simples: trata-se de um suspense, e não um mistério clássico. Saber quem é o assassino não é a questão. A questão é o suspense em torno desta questão, como a polícia encontrará o culpado, ou sequer se ele será encontrado. Ou, mais importante, a história que se desenrola tendo um crime quádruplo como ponto de partida, com personagens cativantes e uma boa dose de cotidiano histórico.

E um dos personagens é, basicamente, Jô Soares encarnado em um ex-detetive português especialista em culinária portuguesa. Isso fica bastante óbvio à medida que a narrativa avança.

Mas, tomando um desvio completo deste ponto em particular, o livro é cativante e rápido, e possui o estilo tradicional jossoariano de mesclar a narrativa fictícia com acontecimentos reais e o "clima" da época, além de um grau de detalhismo localizado que beira o exibicionismo de um autor que, sem dúvida, quer mostrar que fez sim, e muito bem, o seu trabalho de pesquisa. Tudo bem, Jô, já entendi, meus parabéns.

De fato, parabéns. Eis aí um livro divertido, facilmente digerido porém não vazio de conteúdo, quase um quitute literário. É apropriado, até...

Veredicto: 9.0/10