Não que minhas resenhas sejam sempre atuais e no 'bleeding edge', mas dessa vez eu tenho uma boa justificativa pra uma resenha de um jogo de 6 anos atrás: 'Bioshock Infinite' está vindo aí, então eu resolvi fazer um especial 'Bioshock' e cobrir a série toda desde System Shock 2, mas vou começar em ordem cronológica em que eu joguei os jogos, e não de lançamento. Então entrem em suas batisferas e comecem a rodar o filme de propaganda, por que vamos adentrar 'Bioshock'!

(8) Hey, Little Sister... (8)
(8) Hey, Little Sister... (8)

Então, Bioshock é um jogo de 2006 sobre um experimento político extremo que não deu certo. Quando o protagonista Jack (você) sofre um acidente de avião perto de um farol, que na verdade é um ponto de acesso para a utópica cidade submarina de Rapture está em frangalhos e infestada de 'splicers', pessoas que utilizam uma estranha substância chamada ADAM para modificar seu DNA e ganhar super poderes. O jogador é contatado por um misterioso homem chamado Atlas que precisa de sua ajuda para tirar sua família desse inferno subaquático, e a história acaba se tornando um complô para eliminar o líder desse paraíso decadente, Andrew Ryan.

Em sua missão, o jogador também se torna um usuário do ADAM, uma substância estranha que atua sobre o DNA das pessoas e é coletado pelas Little Sisters, que são "adoráveis" meninas modificadas para extrair o ADAM dos mortos, e são protegidas pelos Big Daddies, que são brutamontes em escafandros modificados, porque no final das contas todo mundo quer o ADAM direto da fonte. E nisso o jogador tem uma escolha moral – superficial, é verdade – de tentar salvar ou se aproveitar das Little Sisters para conseguir o ADAM que possibilita a jogador modificar o próprio corpo com poderes super humanos como pirocinese – o poder de tocar fogo nas coisas –, criocinese – o poder de congelar as coisas – ou abelhocinese – que provavelmente não existe, mas eu inventei essa palavra pra definir o poder de jogar 'abelhas' nas pessoas.

É um preço pequeno por tamanho poder...
É um preço pequeno por tamanho poder...

Bioshock tem várias coisas a seu favor, a começar pelo cenário original e muito interessante, que dá bastante prazer em explorar e que, incrivelmente, será superado em Bioshock 2, mas isso fica pra depois. Além disso, a história do jogo, contada principalmente por meio de "audio-diários" e em menor grau por sutis toques no cenário, é bastante complexa, intrigante e mesmo sombria, pois, em resumo, é a história da decadência de um paraíso objetivista1 em face de duras realidades como, nas palavras de um dos personagens do jogo, "até no Paraíso alguém tem que lavar as privadas". Isso sem contar a tragédia que rodeia a origem das Little Sisters e do próprio protagonista.

Quanto à jogabilidade, bem... Bioshock não é muito diferente da maioria dos FPSs, mas é mais divertido pela utilização dos "plasmids", que são as soluções de ADAM usadas para dar mais poderes ao jogador. Em poucas palavras, em qualquer jogo você pode atirar em desafetos aleatórios, mas só em Bioshock você pode eletrocutá-los em uma poça de água antes. Ou jogar abelhas neles. Há outras mecânicas interessantes no jogo, como a utilização de uma câmera para "pesquisar" seus inimigos e um mini-game de hackeamento para abrir trancas e cofres que parece um jogo de "Pipe Dream", mas você provavelmente já parou de ouvir quando eu falei de abelhas.

E, afinal, este foi um jogo marcante pra mim, porque ele é a prova definitiva de que demos funcionam. Depois de conhecer Bioshock por algum tempo no TV Tropes e lendo sinopse da Wikipédia – tentando evitar 'spoilers' – eu ainda estava resistente ao jogo porque, em geral, eu não curto jogos de FPS. Foi só depois de jogar o demo no PS3 – pouco tempo depois de ganhar o dito cujo – é que eu finalmente decidi que, de fato, eu tinha de jogar esse jogo.

Enfim, Bioshock ganha um 4.5/5 por ser um FPS que foi capaz de me fazer gostar de FPSs, com uma história incrível e coadjuvantes extremamente interessantes – o vilão da história é sensacional, embora infelizmente o 'real' último chefe do jogo seja um pouco decepcionante.

E, acho que não posso grifar isto o bastante: você pode atirar abelhas nas pessoas. E, acredite, isto melhora em Bioshock 2, mas falaremos disso depois.


1 Para mais detalhes sobre Objetivismo, consulte as obras de Ayn Rand, incluindo 'Quem É John Galt?'/'A Revolta de Atlas'... ou jogue Bioshock, que dá uma boa idéia do assunto. :D