Quando eu fiz meu especial Bioshock com Bioshock 1, Bioshock 2 e System Shock 2, eu calculei os posts para saírem um por semana até sair Bioshock Infinite, o que era mais ou menos óbvio. O que eu não esperava é que eu fosse terminar o jogo em uma semana. Não que eu ache que o jogo foi curto, mas porque em geral eu não tenho muito tempo pra dedicar a esses jogos mais pesados e vou indo com calma. Mas depois de jogar pelas últimas horas de domingo e chegar ao final desse jogo, bom... eu não podia deixar de fazer essa resenha.

Pessoal, preparem-se. Só... preparem-se.

The Songmole cometh...
The Songmole cometh...

Bioshock Infinite segue uma nova história, a saga de Booker DeWitt, um detetive particular que se mete com as pessoas erradas e acaba aceitando um trabalho suspeito para limpar sua dívida: recuperar a jovem Elizabeth em Columbia. O problema – ou melhor, o primeiro problema – é que Columbia é uma cidade que voa pelos ares. Os outros problemas se seguem porque o fundador da tal cidade, o messiânico nacionalista Comstock, não quer deixar a moça ir embora e vai jogar o que estiver à mão em Booker para evitar que eles fujam, inclusive um misterioso monstro mecânico em forma de... pássaro, eu acho. Além disso uma revolta popular começa a ferver à medida que o jogo avança, e a situação só se complica à medida que a verdade sobre Elizabeth, Columbia e toda essa bizarrice começa a vir à tona.

Pois bem, Bioshock Infinite se parece bastante com a outra obra de Ken Levine, Bioshock – Levine não tem e não quer ter nenhum envolvimento com o segundo jogo –, tanto na jogabilidade com armas e poderes sobrenaturais(agora chamados "vigors") quanto na estrutura básica da história, com uma cidade impossível, extremistas ideológicos e até mesmo o início do jogo em um farol(embora haja um contraponto: em Bioshock Jack cai de um avião e desce para o fundo do mar; Booker chega de barco e sobe aos céus). Sem spoilar muito pesadamente o jogo, só posso dizer que esses paralelos não são apenas nostalgia ou a assinatura literária de Levine. Isso realmente importa para a história.

Em jogabilidade, Infinite também tem bastante semelhança com o Bioshock original. Além de permitir usar armas e vigors ao mesmo tempo – um problema do jogo original que já tinha sido resolvido em Bioshock 2 –, existe um caráter estratégico a mais em Infinite devido ao inventário limitado do jogador, que só pode carregar duas armas por vez(mas manter a munição para depois, felizmente). Frequentemente é necessário trocar uma arma desvantajosa por outra que esteja disponível no cenário ou caída no chão para lutar melhor contra inimigos específicos. Os designs do cenário e dos personagens é, como sempre, criativo e deliciosamente anacrônico, misturando tecnologia impossivelmente moderna com visuais do século XIX, com destaque para as todas as máquinas voadoras, as máquinas de venda que parecem bustos animatrônicos de apresentadores de espetáculo vaudeville e o Patriota Mecanizado, um boneco animatrônico de George Washington armado com uma metralhadora giratória.

Isso sem falar numa das grandes estrelas do jogo, o pouco visto mas incrivelmente brilhante Songbird, a contraparte aérea dos Big Daddies de Bioshock. Exceto que ele é gigante e é um só; como se precisasse de mais.

PIU PIU, mothafocka!
PIU PIU, mothafocka!

E falando em pássaros, infelizmente não temos mais abelhas em Bioshock Infinite, mas podemos atirar corvos em nossos inimigos. É uma troca justa. :P

Finalmente, vamos falar da história de Bioshock Infinite. Não é uma história longa, embora tenha um andamento que às vezes parece dar algumas voltas mas nunca é cansativamente enrolativo. Há uma disputa de classes intensa acontecendo no fundo de uma história de mistério e suspense com elementos de sátira política e física quântica interdimensional, e por incrível que o pareça o conflito acaba sendo jogado para o lado para dar espaço para a relação crescente entre Booker e Elizabeth. Aliás, resgatar Elizabeth é, para o alívio dos jogadores, muito mais do que uma "escort mission" do tamanho de um jogo inteiro, já que a moça não só é capaz de se cuidar e ficar longe do conflito, ela também oferece ajuda em momentos críticos – com munição, cuidados e o poder de trazer itens de outras realidades alternativas para o campo de batalha – e o desenvolvimento da relação dos dois personagens principais não acontece em cutscenes independentes, mas muitas vezes durante o próprio jogo!

E quanto ao final do jogo... bom, não dá pra ser nada específico visto que há reviravoltas e revelações enormes que vão explodir sua mente e colocar praticamente o jogo inteiro em uma nova perspectiva em retrospecto – especialmente se você andou explorando e ouvindo os "voxofones" com atenção, já que essa é a maneira usual de Levine de contar suas histórias nos jogos da série –, e é, com toda a sinceridade e humildade da minha opinião, um dos melhores, senão o melhor final que eu já vi em um jogo até hoje. É lindo, fantástico, surpreendente e você, como jogador, realmente toma parte nele, diferente dos finais dos Bioshocks anteriores, que são pouco mais que um epílogo em filme com uma narração.

Bioshock Infinite é, pra mim, um sensacional 5/5, um jogo que valeu cada centavo da pré-venda(e ainda por cima me rendeu X-Com: Enemy Unknown :D ), com um cenário impressionante e muito instigante(eu adoro a atenção dada aos detalhes da decoração que a série apresenta) e uma história com uma qualidade que não se vê há muito tempo, um jogo que vale a pena jogar novamente para rever a história sob um novo olhar – e também aproveitar o modo ultra-hardcore chamado "1999 Mode". :P

E se o Ken Levine estiver envolvido no próximo jogo da série, eu não serei capaz de esperar! XD