Não sei se alguém já disse que é uma boa idéia resumir o assunto do seu post no título, mas se não for uma boa idéia... bem, não será minha primeira má idéia na vida. Enfim, deixa eu botar um ovo em pé aqui na mesa: é uma metáfora que me surgiu numa epifania esses dias quando eu estava cortando cabelo.

Um blog é como um tubarão; se ele pára, morre

A curiosidade biológica de hoje é que vários tipos de tubarões e arraias, como são peixes cartilaginosos – ao contrário da maioria dos peixes, que são ósseos – não possuem meios de bombear a água através das suas guelras, e por isso precisam se manter em movimento para que o fluxo de água os mantenha respirando. Não, eu não sei por que eu não fiz um curso de biológicas na faculdade. Enfim, a questão é que, assim como no mundo da fama e das (sub)celebridades – não que eu entenda de fama de primeira mão, mas isso não vem ao caso –, não dá pra se manter nos holofotes sem estar fazendo alguma coisa. De fato, o mais complicado é conseguir prorrogação pros 15 minutos de fama.

E daí que em blogs acontece o mesmo: se não há conteúdo sendo gerado em uma taxa, digamos, razoavelmente constante, os leitores vão procurar outro lugar pra conseguir seu conteúdo. Fãs fiéis continuarão voltando pra ver se há algo novo, mas a paciência do leitor também tem limite. E tem mais: um blog que se atualiza tem mais chances de ser visitado e comentado, e comentários em geral incentivam a centelha criativa no escritor. Ou seja: é um ciclo de alimentação contínuo. Ou deveria ser contínuo. Em todo o caso, a parte mais importante da história toda é que o blogueiro continue escrevendo. Porque um blog sem conteúdo não tem a mesma graça.

E, pegando tangente neste assunto, outra epifania que veio na minha cabeça – e acho que esse é mais original, até:

A melhor desculpa para falta de conteúdo é mais conteúdo

Acho até que falei isso um dia: quando seu blog começa a involuir em uma série de posts explicando porque você não escreve e pedindo desculpas e prometendo melhores dias que virão, a coisa se complica. Porque neste caso há um certo influxo de... pseudo-conteúdo. Um post de desculpas tecnicamente é conteúdo, mas não interessa ao leitor. Não prende a atenção. Não incita o desejo de resposta. Em outras palavras, uma retratação é o equivalente criativo do chips de isopor sabor queijo: ele tecnicamente ocupa espaço, mas não mata fome nem nutre nem um pouco.

E como nada mais que eu diga pode superar uma metáfora dessas, me despeço por aqui.