Do diretor Tarsem Singh(o patronímico é opcional), Dublê de Anjo(The Fall) é um filme que considero quase integralmente uma verdadeira obra de arte, porque, na minha opinião, é um filme que tem mais conteúdo pela impressão que passa do que pela história que conta. Vamos por partes.

Googly, googly, googly e tals
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A história tem seu charme. Temos Roy(Lee Pace) um dublê que é hospitalizado após sofrer uma horrível queda durante uma cena envolvendo um pulo sobre um cavalo – e, parênteses: a cena inicial já é um deleite em câmera lenta com uma linda trilha sonora. Veja:

Mas voltando à resenha, Roy está hospitalizado no mesmo estabelecimento que uma jovem romena chamada Alexandria(Catinca Untaru), e os dois se conhecem por acidente quando ela perambula pelo hospital com seu braço quebrado. Roy tenta ganhar a confiança da menina contando uma história épica de 5(na verdade 6) heróis em busca de vingança – bizarramente, um deles é Charles Darwin –, uma história visualmente arrebatadora que visivelmente muda com o humor de seu contador, e também com a imaginação da ouvinte. Mas Roy tenta convencer a menina a conseguir morfina para que ele tente suicídio, mas quando o plano dá errado (com graves consequências), as coisas tomam um rumo bastante deprimente e ambos precisam se apoiar para que a história não termine em tragédia.

Bem, digamos que a história do filme não é exatamente um primor, e seus personagens são interessantes – talvez porque grande parte do filme parece ser improvisada –, mas é em outro departamento que esta obra realmente brilha: os cenários da história-dentro-da-história são fascinantes, maravilhosos, estonteantes... e completamente reais. As filmagens ocorreram em mais de 20 países no decorrer de 4 anos, e o resultado é simplesmente exuberante! Além disso, os visuais vibrantes e esdrúxulos da imaginação de Alexandria contrastam de forma interessante com a quase monótona realidade. É um filme, enfim, para se admirar com olhos bem abertos.

Em suma, Dublê de Anjo não se dispõe tanto a contar uma história – duas, uma sendo um conto um pouco inspirador e emocional, a outra uma chuva de clichês e absurdos que, embora contribuam para a diversão, não são exatamente inexcusáveis –, mas sim a aproveitar o meio cinematográfico nos apresentando as imagens mais deslumbrantes que ele consegue reunir em uma só história(ligeiramente incoesa, mas ninguém é perfeito, principalmente um dublê depressivo em uma cama de hospital) e possivelmente por isso ele vale toda a pena.

No mais, fiquem com o trailer após o veredicto.

Veredicto: 9.9/10