O direito ao espaço pessoal é inalienável, ou seja, não pode ser retirado do indivíduo. Em sociedade, valorizamos nossa privacidade, nosso espaço particular, nosso "canto", e é por isso que distopias como 1984 nos aterrorizam: porque a falta de privacidade nos incomoda. Eu diria que reality shows como o Big Brother são uma exceção, mas na realidade são um corolário. Em geral, as pessoas querem sua privacidade protegida, mas fazem o possível para invadir a privacidade alheia. Por isso tanta gente se preocupa com o quão seguras são redes sociais e a internet de modo geral.

E não é uma preocupação sem justificativa, é claro. Ninguém quer informação sensível sobre si mesmo flutuando pela rede ao alcance de gente com más– ou ainda, péssimas intenções. E, de forma geral, queremos ter controle sobre o que os outros sabem sobre nós, e especialmente quem são essas pessoas.

E por alguma razão esquecemos o princípio básico sobre privacidade: não se pode saber o que não foi contado. Ou seja: se você não quer que outros saibam onde você mora, não escreva isso em um perfil de rede social. Você não é obrigado a compartilhar, embora seja encorajado a tal. Mas como todos aqueles especiais sobre drogas já nos advertiram, tem hora que é preciso dizer não à pressão social.

O que quero dizer não é que devemos erradicar as redes sociais. Estes sites têm o propósito de promover a interação social entre pessoas, e sim, interação que não seja cara-a-cara, olho-no-olho, conta. A questão é que gente mal-intencionada é em geral uma minoria, mas uma minoria muito vocal. O ponto é entender que toda abertura social é um risco e isto não deixa de ser verdade só porque existe umas camadas extras de servidores e infra-estrutura no meio.

Em outras palavras: tenha na rede o mesmo cuidado que você com sua informação no mundo real. Partindo daí, é difícil de errar. Na verdade...

...não. Fica pra próxima.