Mais uma vez paramos e neste tempo parado eu comecei a pensar, porque nada melhor pra se fazer parado – só que nesse caso eu não estava parado, porque eu tenho uma penca de outros projetos e um trabalho e uma vida social e tals – e o assunto dessa vez foi... acho que foi "como eu cheguei até aqui?"

Talvez você lembre que este blog nasceu de outro blog chamado "Bruno Guedes e Toupeiras" e se especializou em resenha – meio que – e a grande questão eu acho que é, no final das contas, por que resenhas?.

A primeira resposta é o que eu já falei logo no início do site: é porque as minhas resenhas eram os textos mais procurados e acessados. Isso se chama "dar ao público o que ele quer", dizem que é uma boa estratégia de negócio. Mas a questão não acaba aqui porque, ainda mais no final das contas, pra quê eu fui começar a fazer resenhas, mesmo nos tempos em que meu blog era sobre nada, tudo, o Universo e o sexo – ou a falta do mesmo – dos anjos? E a resposta é ainda mais simples.

Eu gosto de resenhas.

Só que não. Bom, não exatamente. Ok, vamos começar um parágrafo pra explicar isso.

Existe uma pergunta que atormenta o ser humano como consumidor de conteúdo, e ela é "como eu posso saver se algo é bom antes de consumir?" No caso, consumir envolve comer, ouvir, ler, assistir, jogar e outras atividades. A resposta correta e óbvia é "você não pode." Mas você pode chegar perto disso perguntando a outras pessoas que já experimentaram antes de você e essa é, portanto, a razão porque resenhas existem.

Porém, a noção formal de resenha pede imparcialidade e objetividade na hora de julgar o produto em questão. Eu pessoalmente não aprecio este estilo por dois motivos. Primeiro, que a impessoalidade remove grande parte do valor da avaliação da resenha, porque no final das contas gosto é algo extremamente subjetivo. Quando alguém te recomenda algo, ou se pergunta a opinião de alguém, existe um context por trás daquela opinião que a torna julgável por outro ângulo que não a fria análise de atributos objetivos. Você sabe se a opinião daquela pessoa em geral converge ou diverge da sua, e isto te agrega muito mais valor.

O segundo é que a resenha em si é um produto, e uma resenha analítica, precisa e objetiva em geral também é muito chata. E uma resenha chata não causa impacto, não agrega nada que possa transformar o consumidor em potencial em um consumidor de fato ou mesmo que o faça desistir e buscar outra coisa melhor.

E, voltando ao lado mais pessoal aqui, eu prefiro muito mais resenhas que tenham personalidae. Caráter. E especialmente que sejam divertidas. É por isso que eu gosto de vários membros do That Guy With The Glasses, dos vídeos do Zero Punctuation ou, voltando aqui pra terra natal – ou nem tanto – dos posts de resenhas do Sr. Izzy Nobre. Porque não são apenas uma opinião sobre algo, são algo que te informa e diverte, com conclusões que talvez você discorde, mas não faz mal, são interessantes. Uma resenha com uma pessoa por trás. Ou um personagem, não importa. O que importa aqui é o que eu disse logo ali em cima: personalidade.

É nesse ponto que eu cheguei à triste conclusão de que eu estava fazendo alguma coisa de errado. Porque quando eu comecei com Bruno Guedes e Toupeiras, a idéia era termos autores diferentes, com personalidades e estilos diferentes e… bom, eu sou péssimo em me julgar, mas eu sinceramente acho que não está dando tão certo quanto eu gostaria. Isso, e as resenhas estão um bocado secas. E, juntando tudo isso que eu vim falando até aqui, eu cheguei a conclusão de que eu tenho que mudar minha aproximação.

A idéia é voltar depois do Carnaval, e já temos sim uma resenha especial preparada. Dupla. E, se tudo der certo, as coisas vão ficar mais aproveitáveis pra ambas as partes.

Até breve, povo!