Estas duas palavras apareceram na seção "Trending Topics" do Twitter ontem. Naquele momento minha mão e minha face tiveram um encontro forçado, e eu tive que ver do que se tratava. O que talvez te surpreenda é que são na verdade duas coisas, uma levemente menos pior do que a outra. Sim, eu disse menos pior. Você vai entender.

A primeira foi uma "Parada Hétero" realizada em São Paulo. Foi em partes iguais um movimento inofensivo que é praticamente uma piada interna e um ato de revolta devido à algumas irregularidades graves que ocorreram durante a Parada Gay. Algo sobre uma cartilha que ensina a usar drogas. Se isto soa para você análogo a um manual de como fabricar bombas caseiras com segurança, então estamos mais ou menos na mesma frequência.

Mas em suma, este movimento foi inofensivo. Por motivos que deixarei mais claros mais à frente, é desnecessário, mas como está não está exatamente fazendo mal a ninguém. Talvez por que seja pouca gente, o futuro dirá se isto sobrevive ao poder corruptor da mentalidade de multidão.

O problema é isto aqui.

Estou assumindo que você leu, então não vou perder tempo explicando. Só vou dizer que um "Dia do Orgulho Hétero" é talvez a idéia mais imbecil que eu já ouvi ser aprovada em uma Câmara. Devo admitir que ando por fora das votações de leis absurdas neste país tropical abençoado por deus ultimamente, mas isto não é lá nem cá.

Repito: é uma idéia imbecil. Permita-me abrir o jogo aqui: eu questiono internamente a noção de "orgulho" de ser minoria, ou, em geral de ser oprimido. A razão principal é que se orgulhar de ser algo que você nem teve escolha de ser(e abro a ressalva de que, para fins deste comentário, ser homo/hetero/bi/pan/a/caralho-a-quatrossexual não é uma escolha ativa; ou se é, ou não) é como se sentar em um restaurante, ser servido um prato que você não pediu mas comer com gosto mesmo assim por que é o que estão te servindo. Em outras palavras, orgulho do que não se escolhe parece mais é conformismo.

Não que desviar da norma – para definições estapafúrdias e retrógradas de "norma" – seja inerentemente ruim. Não faz diferença. Mas a questão é que, quando se trata de uma minoria oprimida por um preconceito social que se tenta inutilmente varrer para baixo do tapete como se não existisse(e existe, e como!), um movimento ativo de conscientização faz todo o sentido. Não tenho nada contra.

O que não dá pra engolir é um movimento reacionário de uma classe reclamando de barriga cheia por um medo irracional de estar sendo prejudicado porque seu pedestal não é mais tão alto quanto era antes, como um moleque que corre pra saia da mãe assim que os outros guris começam a revidar. E pior: sob a justificativa de "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes". Olha, eu admito que sou velho, pelo menos em mente, mas até eu acho "moral e bons costumes" um conceito retrógrado.

E eu achava que o Dia Internacional do Homem era o fim da picada...