Adentraremos o deserto de Mojave no oeste americano, onde o sol é quente, a terra é quente, o ar é quente e a água, se você encontrar, provavelmente também é quente. Este cenário desolado porém fantástico é onde se passa a história de Rango.

RangoRango
Rango conta a história de um camaleão sem nome e sem identidade que tenta recomeçar sua vida como um herói, em uma trama recheada de mentiras, coincidências bizarras e muitos, muitos personagens carismáticos. Mas falaremos disto depois. Tudo começa quando ele cai acidentalmente do carro de seus donos em pleno deserto e, guiado por um tatu que pode ou não ser uma metáfora(ou um fantasma) ele encontra um vilarejo praticamente saído de um filme de faroeste, conhece todo tipo de figura pitoresca e tenta desmascarar um esquema nefasto perpetuado por figuras corruptas do local. Em bem verdade, a trama termina exatamente como se esperaria.

Mas, se a trama segue o arquétipo já conhecido do herói que se sustenta sobre uma teia de mentiras – que é inevitavelmente desfeita, e não tenho medo de trair suas expectativas com esta declaração, pois é afinal inevitável – e tem de lavar sua honra se tornando o herói que fingiu ser, Rango tem muito, muito mais a apresentar além de uma história divertida para toda a família com referências à cultura popular e ao gênero do faroeste. De fato, dois fatores roubam a cena com muita facilidade: o cenário e os personagens. Principalmente os personagens.

O plano de fundo, como já mencionado várias vezes, é o deserto de Mojave, mais especificamente o vale de Las Vegas e, em várias cenas do filme ele se mostra lindo, espetacular e letal. Mas, com tanta vida e ação acontecendo, a última parte se torna quase esquecível, e as planícies e mesas e vales formam um fundo magnífico para a história.

Quanto aos personagens, bem... há poucos personagens facilmente esquecíveis, desde que não estejam obviamente relegados ao fundo de cena. Tanto os coadjuvantes quanto os protagonistas e especialmente os antagonistas são cheios de personalidade, instigantes e divertidos. E, como se não bastasse o carisma, o desenho dos personagens é também impressionante. Cada criatura é representada com a medida certa e realismo e caracterização que cria um personagem animal que tem traços únicos e humanos moldados com suas características bestiais. E, que fique claro, assim como o terreno é inóspito, os desenhos não são "bonitinhos". São, pelo contrário, brilhantemente selvagens e dilapidados, afinal são todos(ou quase todos) criaturas deste deserto nada acolhedor.

E, verdade seja dita, a trama brilha também. Momentos divertidos abundam, as referências escrachadas ao western macarrônico são deliciosas e, em alguns pontos, a história parece sofrer um solavanco que contribui muito para a narrativa. De fato, à medida que os acontecimentos se aproximam do fecho, nota-se uma mudança de tom bastante bem-vinda.

Enfim, Rango. É divertido, é incrivelmente bem feito, e conta com notáveis talentos em sua produção(e antes que me esqueça de mencionar, o personagem principal é dublado por Johnny Depp; funciona incrivelmente bem). E, em um ponto do filme, temos uma perseguição de carroça por cães da pradaria caipiras montados em morcegos com esta trilha sonora:

Sim, isto é A Marcha das Valquírias tocada em banjos. O que quero dizer é que você definitivamente não vai se arrepender.

Avaliação: 9/10