Novamente falando da evolução da mente, é um fator decisivo para a sobrevivência do indivíduo de uma espécie comunitária se identificar com seus semelhantes. Um indivíduo autista, na natureza, seria sumariamente eliminado pelo meio, pois sua incapacidade de se identificar com seus iguais, inclusive genitores, o isolariam da comunidade e o tornariam um alvo fácil para predadores e indefeso contra as forças do meio. Trágico, mas real. Obviamente, estou falando de seres irracionais.

Entrementes, como muitos outros instintos, seres humanos conservam em si o instinto de identificação e, inclusive, de imitação. Cada ser humano tem seu próprio conjunto de ídolos, que escolhe admirar, imitar e usar como exemplo. E este, amigos é o assunto de hoje: a admiração contra a falibilidade humana, uma luta interminável.

É completamente normal e saudável escolhermos, dentre tantas pessoas com as quais temos contato, uma que será nosso guia moral, intelectual e mais. Um ídolo que nos serve de modelo, em suma. Claro, existe um limite além do qual idolatria se torna, essencialmente, obsessão. E obsessão não é nada saudável. É difícil definir o limite, devido ao caráter definitivamente inexato da psicologia. Felizmente, existe uma faixa em torno dessa linha na qual já se deve prevenir tal estado. Antes prevenir que remediar, é o que dizem.

Enfim, é normal que o ser subordinado a seu ídolo o enxergue como alguém acima de todo e qualquer ser humano – exceto, talvez, outros ídolos. Que ele o veja como um ser, senão totalmente, quase perfeito. A firmeza de tal noção depende, puramente, de cada pessoa. Algumas pessoas tem mais facilidade de se desmistificar, enquanto outras não.

Por outro lado, o Universo não é perfeito, e por conseguinte, nem tudo dentro dele o é – se fosse, ele seria perfeito, pura lógica. Principalmente, seres humanos são imperfeitos, cometem erros e defendem ideais errados. E, claro, todo ser humano está longe do ideal de perfeição moral, intelectual e et cetera et al. E tem a questão da esclha de ídolos. E como tais coisas são, deifinitivamente, contraditórias.

Entretanto, é parte da vida, e quanto mais cedo – e melhor – aceitar-se que, sim, ídolos são humanos, falham e fazem besteira, assim como defendem ideais incompatíveis com suas ações – ou mesmo meramente com o que inferimos de suas ações –, geralmente melhor. Dependendo do grau de aceitação, ou teremos uma total desmistificação da humanidade – e, consequentemente, a rejeição de quaisquer candidatos a ídolo –, ou simplesmente a aceitação do fato. Conforme tudo na área de ciências humanas, depende do caso.

Isso tudo me serve de pretesto para mais uma mensagem de precaução. Ao ler este blog, tenha consciência de que somos todos humanos, pelo menos em mente. De que comentemos erros, falamos besteiras, defendemos o lado errado das questões, isso sem mencionar certas questões onde não há lado certo. Tentamos evitar comportamento indevido ou, genericamente falando, "errado", mas não garantimos a perfeição. Logo, tudo o que temos a fazer é pedir perdão, e se você não pode conviver com isso, vou pedir que saia sem incomodar o resto dos leitores que preferem nos aturar.

Em suma: ídolos de barro – ou de vidro, ouro, pedra... – se quebram algum dia. Você pode aceitar viver com um ídolo rachado, se não perpetuamente aleijado; ou pode simplesmente dar as costas. O importante é que não existe escolha errada.

Você, leitor de nosso blog há mais tempo(bota tempon nisso) talvez tenha achado isto familiar. Sim, isto é um "repost". Como o antigo blog será oficialmente terminado em breve, achamos que era de bom tom pegar os melhores textos de lá e republicar para o bem dos leitores mais novos... além de que, os textos sendo bons, não vejo por que não.

Ademais... o ritmo de escrita só anda descrescente. O que vier, sendo nosso, é lucro.